terça-feira, 23 de julho de 2013

A história do Distrito de Calama


O povo Calamense

                                                                          Professor José Cícero Gomes

              O povoamento da área do Distrito de Calama no baixo madeira rondoniense, tem início por volta da segunda metade do século XIX, retirantes da seca que assolava o sertão nordestino migram para a região Amazônica, e ao chegar assumem o papel de seringueiros povoando as margens dos rios Madeira(Caiari), Ji-paraná(Machado) e Preto. Ocupam o Baixo Madeira e travam um conflito com os descendentes dos antigos Kawahima ( Parintintins e Tenhrins ).
                 Os pioneiros nordestinos se depararam com  índios do tronco Tupi, família Tupi-guarani, grupo Tupi-Kagwahib que habitavam a voz do rio Marmelo, a margem direita do rio Madeira e do rio Maici.
                Nesta correlação de forças o mais forte subjugou o mais fraco, se deu apaxificação dos nativos através do uso da força. Os Parintintins e os Tenharins não foram os nativos enfrentados pelos caboclos sertanejos acostumados a enfrentar desafios, obstáculos, enfim preparados para enfrentar a dureza da vida; outros nativos que combateram a presença do nordestino no perímetro de Calama e adjacência foram os Muras que já vinham resistindo ao invasor de seu território desde o século XVIII. Segundo Vitor Hugo: "A ferocidade dos índios do Rio Madeira era propalada e ninguém se aventurava a percorrê-lo ou aos seus afluentes, se não estivessem bem armados e em um grupo numeroso."¹
                Segundo Amizael: "Esses pacificadores não passavam de regateadores e escravizadores de índios, esses viam as mulheres nativas como objeto do prazer."² Os primeiros moradores da vila de Calama foram coletores de goma elástica (látex), castanha da amazônia(Castanha do Pará) e óleos vegetais. estes eram Nordestinos, e filhos de Nordestinos ou do cruzamento destes com nativas. Sabemos que muitos destes bravos caboclos do sertão nordestino traziam suas mulheres e filhos. Mas muitos deixaram suas famílias para trás ou eram solteiros, e ao chegarem na Amazônia do Sul construíram outra família com uma silvícola, com uma filha de algum pioneiro ou ainda com a mulher roupada de algum caboclo visto com fracote e preguiçoso pelo seringalista. 
               É sabido que a própria vida que eles levavam aqui na Amazônia do Sul, não permitia que eles voltasse para rever suas famílias no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco e outros nordestinos.
                A população atual da vila de Calama é composta por mais ou menos 72% pessoas nascidas no Distrito de Calama, 22% vindas do Estado do Amazonas, uma grande parte destes 22% vinheram do município do Humaitá-AM, 0,2% nasceram em na capital Porto Velho, e  5,8% do moradores do Distrito de Calama nasceram em outros Estados da Federação.
                     A vila de Calama é acolhedora e sua comunidade ainda hoje recebe de braços abertos os seus visitantes e acolhe todos que ali resolve viver, até pouco tempo grande parte do efetivo humano no campo do serviço público da educação em Calama era formado por cearenses que lá chegaram no início dos anos 90. 
            A vida do povo calamense atualmente se explica como uma vida sem dinamismo econômico, sem uma produção extensiva, hoje a população se ocupa apenas do funcionalismo público, de uma pesca artesanal e uma agricultura de subsistência. Mas, já existiu uma economia dinâmica nos Distrito, podermos afirmar que a economia de Calama é cicla e a ocupação da vila de Calama assim como a ocupação de todo o baixo madeira rondoniense passa pelos ciclos econômicos: borracha, extração de castanha do Pará, óleos vegetais, madeira e ouro nos anos 80.     
                    Existe um sonho na vida desse povo humilde e acolhedor, de ver seu distrito ter um desenvolvimento real, mas os calamenses ainda estão esperando as tão sonhadas medidas de ordem administrativas para estimular o desenvolvimento não só do Distrito de Calama mais de todo o baixo madeira rondoniense. É bom lembramos que eles esperam por tais medidas desde o governo de Jorge Teixeira até os nossos dias, alguns governos passaram pelo palácio Getúlio Vargas e nada fizeram pelo desenvolvimento do Distrito de Calama.  


terça-feira, 23 de março de 2010

A nossa história: Rondônia



‘A nossa história’ é a primeira publicação desse talentoso historiador e professor Walfedro Tadeu. E é o primeiro livro de caráter essencialmente didático já publicado de história de Rondônia, que foi escrito para suprir a carência de uma obra voltada para o ensino médio, é um trabalho que nasceu da práxis docente do autor no projeto terceirão da Escola Estadual de Ensino Médio Professor João Bento da Costa. Num esforço de síntese, numa linguagem bastante acessível ao aluno do ensino médio, esta obra contribui na construção do entendimento básico dos dicentes acerca da história do nosso Estado de Rondônia.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A conquista da Amazônia


A penetração colonial no oeste para além do tratado de tordesilha

Vejamos, inicialmente, como ocorreu a conquista e a ocupação das terras do vales do Guaporé e do Madeira por sertanistas e jesuítas, terras estas castelhanas que ficavam a oeste da linha de Tordesilas, o nosso serrado, o nosso pantanal e a nossa Amazônia não pertencia ao Brasil português, mas de acordo com o tratado de Tordesilha, assinado em 1494, a posse destas terras que hoje compreende ao centro oeste e ao norte brasileiro pertencia a Espanha. Porém, a ocupação catelhana das regiões oeste, sudoeste e norte do atual Brasil não foi efetivada por diversos motivos, entre eles por não terem encontrado metais amoedáveis na Amazônia em suas excursões pelos rios da Amazônia. O primeiro a chegar a Amazônia foi onavegador Vicente Yanez Pizon que batiza a embocadura do rio Amazona, com o nome de Santa maria Del Mar Dulce, em 1500.
Ocorreram outras excursões castelhanas à Amazônias, em1541 saiu de Quito a expedição de Gonzalo Pizzarro e Francisco Orellana rumo ao Amazonas, em busca das drogas do sertão e de ouro, não obtiveram sucesso. Restando da viagem apenas o relato fantâstico do frei Gaspar de Carvajal, sobre as guerreiras amazonas. Dezenove anos depois, Pedro de Ursula e Lopes de Aguirre, repetiram a expedição novamente sem sucesso. Talvez estes fracassos fizeram se concentrarem na exploração de outras regiões do continente americano que se mostravam mais lucrativos, tais como o vice-reino da nova Espanha e o vice-reino do Peru... A presença não lusitana no litoral norte do Brasil e na Amazônia, despertou o temor Português ao vê seu interesses ameaçados, inicia a construção de uma série de fortificações no litoral nordestino e norte e nos rios amazõnicos. O primeiro deles na região norte foi o forte do Presépio , contruído ainda em 1616 por Francisco Caldeira de Castelo Branco, dando origem a vila de Snta Maria de Belém do Grão-Pará, desta forma marcando definitivamente a presença portuguesa na região amazônica. Em 1637 o capitão Pedro Teixeira comanda uma expedição com a finalidade de demarca os limites lusitanos na Amazônia.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Mato Grosso

Sobre a História do Nome e eo Surgimento de Mato Grosso



Prática comum nas espacializações portuguesas projetar - expandir em busca de novos achados auríferos e da cobiçada mão de obra indígena, principalmente a dos Pareci. Buscavam-se novos vetores e eixos de colonização, laçeando as conquistas lusas sob solo hispânico forjando o espaço de Mato Grosso, que pelo Tratado de Tordesilhas (1494), estava imaginariamente sob os domínios de castelhanos.

Espacialização e reespacialização em áreas indígenas milenares, ainda inquantificável, que nas palavras do cronista setecentista Antônio Pires de Campos quem em 1716/1718, após contar aproximadamente 80 grupos indígenas desabafa diante do número infindável: seria processo infinito se quisesse narrar as várias nações (...) e menos numerá-las, por se perder o algarismo.

Após o acúmulo de mais de dez anos enraizados na Vila Real de Cuiabá – unidade política-administrativa do ultramar português, inventada em 1721 por Miguel Sutil, o movimento e a vibração do mercantilismo segue o fluxo no quadrinômio: invasão-conquista- colonização- expansão, chegando em 1734, nas franjas do chapadão onde se constituía o vasto Reino dos Pareci, segundo documentos iconográficos.

Os assim chamados negros da terra – índios escravizados por bandeiras de preamento tinham um valor significativo, no rico e nefasto comércio de mão de obra indígena na sociedade escravista portuguesa.

Os Pareci desde antes, nos tempos iniciais do Arraial de Cuiabá já eram capturados nestes sertões, havendo inclusive referências à sua docilidade e civilidade: nas palavras dos cronistas. Foram enviados às dezenas para trabalharem em outras vilas coloniais.

Esta etnia entre outras tantas, foi motivação de muitas bandeiras de preamento e correrias nos sertões do termo da Vila de Cuiabá na direção oeste, financiadas por capital privado dos homens bons da Vila de Cuiabá.

Existiam pelo menos três motivos destas expedições: o preamento e comercialização dos índios, a procura de novas datas minerais e o combate a Guerra Justa, – direito de extermínio das sociedades indígenas consideradas bárbaras, como os temidos Paiaguá, índios tidos como bárbaros, pela defesa dos seus territórios. Índios bravios imortalizados na letra do Hino e no nome do Palácio do Governo.

Segundo relatos de Francisco Caetano Borges nos Anais de Vila Bela de 1754, sobre a expansão da conquista oeste da Vila de Cuiabá, os primeiros achados de ouro desta região indicam o nome de dois desbravadores bandeirantes, ofuscando os demais homens envolvidos na bandeira (certamente negros, índios e colonos pobres), paulistanos de Sorocaba, como Miguel Sutil: Saiu da Vila do Cuiabá Fernando Paes de Barros com seu irmão Artur Paes, naturais de Sorocaba, e sendo o gentio Pareci o mais procurado e já quase extinto, e depois de conquistarem alguns nas suas vastas campanhas, cursaram mais ao poente delas com o mesmo intento, e arranchando-se no ribeirão que deságua no rio Galera, o qual corre ao nascente a buscar o rio Guaporé, e aqueles nascem das fraldas da serras hoje chamadas de São Francisco Xavier de Mato Grosso da parte oriental, fazendo experiência de ouro, tiraram nele três quartos de uma oitava (aproximadamente 2 quilos e meio) na era de 1734.

O nome do primeiro povoado minerador São Francisco Xavier deve-se ao financiador da expedição, o comerciante Luiz Rodrigues Villar, que ao receber a notícia dos novos achados, estava lendo a vida do grande apóstolo da índia São Francisco Xavier e em seu louvor mandou que se batizasse o local, orientando em seguida a construção de uma capela com o nome do referido santo.

Ao contrário do que se imagina este pequeno arraial antecipou o surgimento de Vila Bela da Santíssima Trindade em 18 anos, sendo o primeiro povoado estabelecido na região do Guaporé, depois, Mato Grosso.

Destaco aqui que até sua elevação e status de capitania em 1748, estas posses eram objetos de litígio entre as coroas ibéricas e estavam sob a jurisdição da capitania de São Paulo.

Seguindo as notícias, feitos mágicos e heróicas de sertanistas tarimbados da própria Vila de Cuiabá, e as coordenadas geográficas riscadas no chão com a mão ou com um galho seco, nos caminhos e trilhas homens reinóis negros e índios trilheiros expandiram fronteiras e amansaram sertões na parte mais central do continente sul americano. História da colonização ainda pouco conhecida, espacialidades urbanas palmilhadas a mais de 500 quilômetros da Vila de Cuiabá.

Desde os primórdios da colonização pairava no imaginário social dos paulistanos os sonhos de enriquecimento no eldorado, lugar mítico com metais em abundância, a lendária serra dos Martírios onde jorrava ouro ou da onírica serra de Prata no Reino encantado de Paytiti alimentava e impulsionava desejos de enriquecimento.

Estas expedições eram formadas por protagonistas anônimos, silenciados pela historiografia oficial: índios cativos, caburés e negros, além dos decantados e cultuados bandeirantes, brasílicos (piratinguenses), homens que garatujavam letras e dominavam diversas línguas indígenas.

Surgia contudo, como produto destas ambições mercantis um novo topônimo na cartografia portuguesa: Mato Grosso nome que surgiu, 14 anos antes da invenção da própria capitania (1736-1748), as referências de ordem escriturárias e de mapas indicam variadas referências a estas espacializações, destacando elementos das paisagens, hoje conhecidas como ecossistemas e em alguns casos acompanhadas do etnônimo Pareci, conforme apontou o historiador Carlos Rosa todos estes nomes demarcavam esta nova territorialidade alcançada: o Mato Grosso, o Mato Grosso dos Pareci, o Mato Grosso do Sertão dos Pareci, Sertão de Mato Grosso no Reino dos Pareci.

Tais descobertas do vale do Guaporé e suas repercussões na metrópole lusitana, entre outros motivos, seguramente motivaram a constituição da capitania de Mato Grosso em 1748.

Para o cronista José Gonçalves da Fonseca os primeiros registros manuscritos que apresentam a expressão Mato Grosso, que mais tarde por uso coloquial, domínio escriturário e ícono-cartográfico veio a nomear a capitania seriam atribuídos aos achados auríferos de São Francisco: (...) saindo uma tropa de gente da Vila do Cuiabá a explorar as campanhas dos gentios chamados Pareci (...), que habitava nas dilatadas planícies ao norte da grande chapada, e achando a referida tropa todo aquele continente destruído de tudo que pudesse fazer interferisse as suas diligências, se determinaram a atravessar a cordilheira das gerais de oriente para poente; e como estas montanhas são escalvadas, logo que baixaram à planície da parte oposta aos campos dos Pareci (que só tem algumas ilhas de arbustos agrestes), toparam com matos virgens de arvoredo muito elevado e corpulento, que entrando a penetrá-lo o foram apelidando Mato Grosso; e este é o nome que ainda hoje conserva todo aquele distrito.





Parte 2

Seguindo as informações dos topônimos vamos aos significados, Houais nos dá algumas pistas seguras:

Mato: vegetação constituída de plantas não cultivadas de porte médio, e geralmente sem qualquer serventia.

Grosso: de maior diâmetro, em comparação com congêneres; volumoso; corpulento.

Esta distinção de princípio paisagístico me parece fundamental, pois a idéia geral do que se compreende como mato num padrão comum de uso linguístico e observação do ambiente natural da Vila de Cuiabá era o Cerrado, que no mesmo dicionário significa: mata xerófita dos planaltos, de formação arbórea aberta, com vegetação herbácea abundante e cujas árvores são geralmente pequenas e tortuosas e de casca grossa e suberosa;

O topônimo Mato Grosso (floresta amazônica) surge, portanto em oposição ao Mato Cerrado - árvores pequenas e tortuosas. Com a mudança da capital para Cuiabá, o nome do estado ficou aparentemente contraditório, Mato Grosso - Cerrado.

Este acontecimento nos sugere, que se a primeira capital fosse Cuiabá certamente a capitania levaria outro nome.

Esta escolha do primeiro nome da capitania está intrinsecamente interligado a fundação de Vila Bela de Santíssima Trindade naquela localidade, motivada por razões estratégicas geoeconômicas portuguesas.

Mas, como na História não existe “se”, o fato é que o uso da expressão Mato Grosso nasce entre outros motivos para garantir e legitimar as expansões territoriais e conquistas lusitanas na fronteira oeste da colônia portuguesa na América.

Habilidades e estratégias discursivas/cartográficas utilizadas nos batismos dos lugares desde os princípios da colonização portuguesa. Batizar com topônimos lingüísticos lusitanos era o primeiro passo para o apelo do uti possidetis – o direito de posse a quem ocupou por primeiro. Limites que se consolidaram nos tratado de Santo Idelfonso (1777).

No tocante a idéia de sertão (Mato Grosso do Sertão Pareci), no referido dicionário apresenta a seguinte definição: região agreste, afastada dos núcleos urbanos e das terras cultivadas; para além das definições semióticas possíveis, uma me parece emblemática, a imagem de Deserto – Desertão- Sertão, para o ocidente judaico-cristão e suas representações podem significar peregrinação e penitência.

No tocante a associação do nome Mato Grosso ao etnônimo Pareci, indica uma territorialidade indígena estabelecida em uma paisagem estabelecida. Esta identificação étnica seguida da palavra Reino (Mato Grosso do Reino dos Pareci) - indica antes de qualquer coisa, uma organização hierárquica político social e uma quantidade significativa de índios escravizáveis.

A indicação da presença dos Pareci aponta para uma rota de captura de índios, que na prática desembocou no achado de faíscas de ouro às margens dos rios Sararé e Galera, sendo São Francisco Xavier (1734), Ouro Fino (entre 1734-1740), Nossa Senhora de Santana do Pilar (entre 1734-1740), pequenos povoados mineradores do Mato Grosso, ainda pouco conhecidos documental, arqueológico e historiograficamente.

Sabendo das façanhas expansionistas de seus súditos no ultramar, que alargara as terras da conquista e as mechas de ouro encontradas naquelas paragens, El Rey no dia 09 de maio de 1748, através de alvará régio determina a criação de uma capitania, sendo efetivamente instalado em 1751, com a posse do primeiro capitão general Dom Antônio Rolim de Moura Tavares (depois vice-rei do Brasil Conde de Azambuja) desmembrando estas conquistas dos domínios e jurisdição de São Paulo.

Ao que tudo indica, a julgar pela produção intensa de ouro e outros negócios de Cuiabá, as pretensões e ambições mercantis por parte da coroa, eram bem maiores do que comumente se imagina sobre estas terras.

Em 1749, as orientações régias justificaram os motivos das emancipações, dividir para administrar e explorar. D. Mariana, Rainha de Portugal, há milhas distantes destes sertões determina: Considerando a demasiada extensão da capitania geral que se chama de São Paulo, e a dificuldade que se experimentava para que um governador acudisse a tempo, com as providências necessárias a países tão dilatados, tive por conveniente dividir a dita capitania geral em três partes (...).

Nota-se nos trechos uma explícita intenção geopolítica: (...) das quais as mais próximas do mar e daí até o Rio Grande ou Paraná formasse um governo subalterno ao do Rio de Janeiro, como são os mais daquela costa; e deste, o dito, Paraná até o rio Guaporé que deságua no Amazonas, fui servido criar uma capitania geral com o nome de Mato Grosso; e das terras que medeiam entre este governo e o das Minas Gerais, outra capitania geral chamada de Goiás (...).

Contudo, o mal estar da escolha e construção da capital Vila Bela da Santíssima Trindade e não Cuiabá, pólo mais desenvolvido da colonização renderia mais tarde muitas dores de cabeça à administração portuguesa, perdurando-se até a transferência da capital para Cuiabá, na primeira metade do século XIX.

Contudo, esta capitania de Mato Grosso articulava dois estados da colônia por sua posição geográfica: o estado do Pará e do Brasil - partes integradas dos domínios lusos na América. Um elo pelo eixo monçoeiro sul - na carreira comercial do Tietê-Guaporé e outra na direção Guaporé-Madeira-Amazonas, rota norte.

Esta recém criada capitania englobava territorialmente os atuais estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, seu território correspondia a 2/3 de toda a fronteira ocidental da colônia, fazendo divisa abaixo de contendas e tratados com os vizinhos ibéricos espanhóis.

Ao final do período colonial, o solo português se triplicou e esta capitania fronteira de Mato Grosso serviria como antemural do interior da América lusitana.

Nesta espacialidade formou-se um mosaico social: Negros Benguelas e Nagôs e outras etnias; escravos, forros e de ganho; índios das mais diversas sociedades (cativos, administrados, livres e guerreiros) e brancos (colonos e homens bons) compuseram este mosaico de agentes sociais, numa sociedade fronteiriça excludente, escravista e colonial – Mato Grosso.

No começo do séc. XIX a capitania de Mato Grosso totalizava 26.836 habitantes, entre brancos negros e índios, adentrou o século XX com 589 mil habitantes e atualmente entrou no séc. XXI com 2 milhões e 498 mil habitantes.

Reconhecer a historicidade do nome neste acaso comemorativo dos 258 anos de Mato Grosso é, sobretudo, um grande pretexto histórico para refletirmos sobre o processo de ocupação do estado e seus modelos de desenvolvimento.

Desde seu surgimento até os dias atuais a nossa história tem sido a da colonização, movendo sonhos de eldorado e riquezas fáceis, atraindo levas de aventureiros, investidores e migrantes.

Talvez neste aniversário seja uma oportunidade de fazermos um balanço, destes quase três séculos, entre perdas e danos, com todos os mato-grossenses, os que aqui nasceram e os que para cá vieram, a luz da razão, sem ufanismos, xenofobismos, etnocentrismos ou civismos inconseqüentes.



Suelme Evangelista Fernandes

Mestre em História de Mato Grosso
Fonte: www.seduc.mt.gov.br

A mineração

A mineração e os ameríndios de Cuiabá e Mato Grosso.

A mineração ocorreu no Vale do Guaporé num momento de mudanças na política européia, culminou com a consolidação do Capital nas mãos dos ingleses, estes passam a serem o fiel da balança nas questões internacionais, A supremacia inglesa se dar em detrimento das nações ibéricas, já que o capital sai das mãos de Portugal e Espanha e vai para as mãos da Inglaterra. A conquista paulista do serrado e do Vale do Guaporé se dar em prejuízo da coroa Espanhola. Ficava visível a perca da soberania castelhana na região, isto foi possível devido a ausência de hispânicos na margem direita do Guaporé, estes estavam muito mais preocupados com suas terras andinas. Mas esta ocupação da região que ficou conhecida como Cuiabá e Mato Grosso, não foi pacífica. Os paulistas encontraram dura resistência dos índios Payaguá. Porém, as descobertas auríferas dos irmãos Paes e Barros foram acompanhadas pelo governo da Capitania de São Paulo, segundo o barão de Melgaço (Augusto João Manuel leverger, 1802-1880), o governo de São Paulo providenciou os meios para tirar a hegemonia payaguá dos rios do Mato Grosso, e eliminar a resistência dos mesmos a presença do invasor, em seu vasto território, eles foram senhores do rio Paraguai, mas incursionavam até a bacia do Guaporé, hora davam o ar da graça nos sertões de Cuiabá , em suas idas e vindas se deparavam com os luso-brasileiros, e o confronto era inevitável. Uma que alguns destes brancos encontrados em transito ou fixos em comunidades eram velhos conhecidos dos Payaguá, por terem violado seus domínios. Os luso-brasileiros costumavam atacar os aldeamentos indígenas para capturar índios para vender-los como escravos. Chegavam a atacar aldeamentos sob a proteção da igreja católica romana, ai está a causa de todos os conflitos entre religiosos jesuítas e os bandeirantes apresadores de índios. Daí o porquê da violência payaguá quando se deparava com populações não indígenas em Cuibá e Mato Grosso. Como para o conquistador europeu os fins justificavam os meios, os meios encontrados pelo governo da Capitania de São Paulo, foi uma tal de “guerra justa”. Mas eu vos pergunto onde havia justiça na ação dos colonos e aventureiros luso-brasileiros? Neste conflito também se observa um genocídio sobre a nação Parencis, quase todo o povo Parencis desapareceram, os que ficaram foram transformados em escravos utilizados como mão-de-obra cativa na mineração guaporeana.
Prof. J. Cícero Gomes, (EEEMJBC)PVH - RO.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Colonização da Amazônia



A presença européia na Amazônia nos séculos XVI e XVII, e a conquista lusitana da região.

Dentre os europeus que navegaram pelos rios amazônicos estavam espanhóis, franceses, holandeses e ingleses. Desde o final do século XVI que estes europeus buscavam se fixarem na floresta equatorial e colonizá-la. Os primeiros a chegarem a região foram os castelhanos, o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón foi o primeiro a visitar o estuário do Rio Amazonas, em 1500, por ele chamado Santa Maria de la Mar Dulce. A exuberância da Amazônia permeia a imaginação no mundo inteiro e exerce forte fascínio sobre todos, provocando cobiça internacional desde o século XVI, em 1559 holandeses estabeleceram fortificações na foz do rio Xingu, em 1610 ingleses fundam núcleos de povoamento próximo da foz do Amazonas e franceses se fixam no maranhão. Ultrapassando o estado de ameaça eminente para um contexto de agressão real a soberania lusitana na região norte. Tal situação motivou a reação vigorosa dos portugueses que, lutam por três anos até expulsarem os franceses do Maranhão (1612-1615). Após a vitória sobre os franceses, Francisco Caldeira Castro de Branco funda o Forte do Presépio no dia 12 de janeiro de 1616, em torno do mesmo surge a cidade de Santa Maria de Belém do Grão-Pará. Neste período Portugal estava sob o domínio da união Ibérica (1580-1640), e atraiu para se todos os inimigos dos castelhanos que se sentiram livres de qualquer laço de amizade com Portugal já que não existia de farto o estado português, eles se achavam no direito de cobiçarem e conquistarem parte da América lusitana, já que naquela conjuntura o que fora lusitano seria castelhano, os colonos e as autoridades portugueses no Brasil atuam decisivamente na expulsão dos estrangeiros do norte e nordeste, além de adentrarem em áreas que antes eram vistas como exclusivamente castelhanas de acordo com o Tratado de Tordesilhas. As autoridades espanholas se descuidam, e bandeirantes, sertanistas e aventureiros expandem os domínios da colônia portuguesa na America do Sul. Isto só foi possível devido à obstinação lusa por encontrar metais amoedáveis e pedras preciosas, e devido os castelhanos terem aberto a guarda, estavam por demais envolvidos com suas colônias andinas, platinas e mexicanas para olhar o que os colonos portugueses estavam fazendo na América do Sul.Caberiam as autoridades lusas a tarefa de resguardar, o Vale do rio Amazonas, em beneficio da União Ibérica. Pelo tratado de Tordesilhas quase toda região amazônica seria da coroa espanhola. No entanto, na metade do século XVII, os lusitanos trataram em fixarem sua presença na bacia e na floresta amazônica. Não imaginava o rei Felipe IV de Espanha(1605-1665) que ao criar a província do Grão-Pará, estava ele lançando as bases da conquista e do povoamento da costa norte a da floresta equatorial pelos luso-brasileiros. O rei citado governou Espanha de 1621 a 1665, e também governou Portugal e suas colônias, já que neste momento não havia de fator um estado português, vivia-se a União Ibérica que foi tão prejudicial a nação portuguesa.

O ouro do Guaporé

O ouro


O ouro das margens do Guaporé era de lavras e faiscadeiras. Os recursos técnicos utilizados na exploração mineradora eram rudimentares, somados aos manipuladores que eram homens igualmente rudes, resultava em uma grande perca no processo de extração do minério e a utilização de um número elevado de escravos, assim encarecendo o processo.
Os veios e aluviões auríferos guaporeanos se constituíram no estímulo para a ocupação luso-brasileira do vale do Guaporé no século XVIII. Favoreceu o povoamento da região e com ele surge a necessidade da coexistência da mineração com outras atividades econômicas devido ao isolamento da região. Surgindo assim uma sociedade colonial no Guaporé ocupada com a mineração, com a pecuária e seus membros mais humildes podiam praticarem a agricultura, esta última atividade nunca passou do campo da subsistência. Daí o porquê da sociedade Guaporeana precisar do fornecimento de viveres, fornecimento feito pelo comércio monçoeiro. Os mercadores do comércio das monções partiam de dois pontos, havia os que vinham de Belém do Grão-Pará percorrendo a rota fluvial do norte e havia os que partiam da Capitania de São Paulo percorrendo a rota do Sul, estes bravos mercadores enfrentavam índios, endemias da floresta, as corredeiras dos rios para poder abastecer Vila Bela da Santíssima Trindade e seus arredores.



O homem em luta com as quedas d’águas do Caiari

Em 1637, o Caiari já tinha sido rebatizado pelos lusos como rio Madeira , treze anos depois o bandeirante Raposo Tavares torna-se o primeiro a percorre todo o curso do rio Madeira de sua foz no rio Amazonas até suas quedas, chegando a transpor o varadouro do salto do Jirau.Rota fluvial que originou no século XVIII a Monção do Norte, comércio feito pelos mercadores de Belém do Grão-Pará com a região mineradora do Vale do rio Guaporé. A tentativa de transladar a região encachoeirada do Madeira era uma tarefa muito perigosa, exigia muita habilidade dos aventureiros que transpunham os saltos de Santo Antônio, Macacos, Teotônio, Morrinhos, Caldeirão do Inferno, Jarau, Três Irmãos e outros.

A descoberta do ouro e fundação de Vila Bela



Após a Guerra dos Emboabas (1707 a 1709), os paulistas, impossibilitados de explorar o ouro da região dos Gerais, passaram a buscar novas zonas auríferas, descobrindo-as nos atuais Estados de Goiás, Mato Grosso e Rondônia. Em 1719, a bandeira de Pascoal Moreira Cabral, subindo o rio Cuiabá à caça de índios, encontrou ouro nas margens do rio Coxipó-Mirim e, em 1725, a bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva descobriu ouro em Goiás. A descoberta de ouro na região marcou o início das monções, expedições fluviais regulares que faziam a comunicação entre São Paulo e Cuiabá. E em 1734 os irmãos Fernando e Arthur Paes de Barros descobrem os veios e aluviões auríferos mas margens do rio Guaporé, em dois lugares Fernando Paes de Barros e seu irmão Arthur, partindo de Cuiabá, seguiram em rumo Oeste da Província no século XVIII, buscando a descoberta de novos monchões, juntamente com outros mineradores que, além de descontentes com o pouco resultado do trabalho em Cuiabá, sentiam-se lesados nos seus interesses pela ganância da Coroa Portuguesa. Seguindo sempre a mesma direção, penetraram no Vale do Guaporé, onde anteriormente estivera Manoel Bicudo, grande preador dos índios parecis, que lhe abriu caminho, pois, suas pegadas foram seguidas pelos novos aventureiros que "Alcançaram o Planalto dos Parecis", já devastado pelos seus predecessores, meteram peito, além, à floresta com que toparam, na fralda Sudo-Oeste, entre o Jaúru e o Guaporé, vararam-na, em picada de "sete léguas de espessura", que lhes inspirou o nome de MATO GROSSO, dado a região, e foram ter as águas do Sararé e Galera, à chapada, onde os mimou a fortuna, ao rever-lhes maravilhosas pepitas de ouro. Tomadas as medidas administrativas, que se faziam necessárias em casos tais, para logo se constituir o Arraial de Sant'Ana, em seguida,o de São Francisco Xavier e de Nossa Senhora do Pilar, todos na mesma chapada, que o Sararé contorna em apertado semi-círculo. Estavam, assim, lançados os marcos povoadores da região onde, tempos depois, seria edificada a Vila Bela da Santíssima Trindade, que seria mais tarde, a sede da Capitania de mato Grosso e Cuiabá, uma vez que, São Francisco Xavier dariam origem àquela povoação, erguida, algum tempo depois, no sítio denominado de Pouso Alegre, determinado o posterior desaparecimento da localidade fundada por Fernando Paes de Barros. A grande atividade dos mineradores nas lavras recém-descobertas, despertou a atenção do Governo Português, em virtude de sua situação de fronteira com os domínios dos Castelhanos, que viviam em constantes choques com os Portugueses, visando ao assoreamento de ambas as margens do Rio Guaporé, e para impedir que os Castelhanos tomassem posse daquela rica região, até então desconhecida. Sua primeira atitude concreta foi a designação de um Capitão General para governar a Capitania de Cuiabá, criada pelo Alvará Régio de 08-05-1748. A escolha recaiu na pessoa de D. Antônio Rolim de Moura Tavares, que a 17-01-1751, assumiu o exercício em Cuiabá. Trazia Rollim de Moura, severas "Instruções Régias", assinadas pela própria rainha, em Lisboa, em 17-01-1749. "Suposto entre os distritos de que se compõe aquela Capitania Geral seja o de Cuiabá o que presentemente se acha mais povoado, contudo, atendendo a que no Mato Grosso se requer a maior vigilância, por causa da vizinhança que tem, houve por bem, determinar que a cabeça do Governo se pusesse no mesmo distrito de Mato Grosso, no qual fareis a vossa mais costumada residência". A demora de Rolim em Cuiabá foi de pouco tempo. Embrenhando-se pelos sertões, pela mesma trilha deixada por predecessores, alcançou as margens do Rio Guaporé, chegando ao Arraial de São Francisco Xavier, com o firme propósito de cumprir o que era determinado nas Instruções Régias. Rolim Moura, contrariando o desejo dos componentes de sua comitiva, não quis aproveitar o núcleo já formado de São Francisco, preferindo lançar os alicerces da nova Vila, à margem direita do Guaporé no lugar de Pouso Alegre, em 19 de março de 1752. Com a presença do governador, pela riqueza mineral, pelos privilégios concedidos, o povoado tomou desenvolvimento, atraindo novos moradores. Em 1754, mudou-se a freguesia da Chapada para a capela de Santo Antônio da Vila, sita no local onde, no ano seguinte, se fundou a matriz da SS. Trindade. A 15 de abril de 1752, foi mandado construir por Rolim de Moura, a primeira edificação, "O Palácio dos Governadores", seguiu-se a da Igreja Matriz da Santíssima Trindade. D. Antônio Rolim de Moura Tavares, depois Conde de Azambuja, governou a Capitania de Mato Grosso e de Cuiabá, durante 14 anos. Rolim de Moura foi substituído, por João Pedro da Câmara, e este por Luiz Pinto de Souza Coutinho, que dirigiu os destinos da Capitania durante 3 anos e 11 meses, quando, então, assumiu o Governo, o General Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, marcando- se a fase áurea de Vila Bela. Cáceres dirigiu-se a Cuiabá no dia 4 de outubro de 1772. Demorou-se Luiz de Albuquerque cerca de um mês em Cuiabá, quando então prosseguiu viagem com destino a Vila Bela da Santíssima Trindade, sede do Governo da Capitania, onde o aguardava, Luiz Pinto de Souza Coutinho, para lhe transmitir o poder. Antes mesmo de chegar a Vila Bela, Luiz de Albuquerque já havia traçado o plano inicial do seu Governo. Verificou-se, assim, que o novo Governador iniciava o seu próprio governamental, adotando medidas de ordem moral e acauteladora, de caráter administrativo. Assentando, assim, solidamente, no Governo, pode Luiz Albuquerque dar cumprimento as ordens recebidas da Metrópole, tomando ainda uma série de iniciativas próprias que de a Vila Bela, uma posição de destaque como Cidade-Sede da Capitania de Mato Grosso e Cuiabá, situação essa, que desfrutou até quando perdeu tal categoria, por força do Alvará de 1820 e da Lei Provincial nº 19, de 28 de agosto de 1835, que transfere a Capital da Província para Cuiabá. O esplendor de Vila Bela, iniciado com o Governo do grande general Luiz de Albuquerque, terminou com a deposição do último Capitão General Francisco de Paula Magessi Tavares, depois Barão de Vila Bela, em 20 de agosto de 1821.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Etno-história



Etno-história é uma ferramenta muito importante para entendermos a origem dos ameríndios do estado de Rondônia, e para podermos montar o quebra-cabeça para termos condições de construímos a historiografia de Rondônia. Sem deixarmos o passado pré-ibérico deste povo da floresta fora da construção historiográfica. Vale salientarmos que a etno-história é uma proposta de investigação interdisciplinar, onde outras ciências como a etnologia e a antropologia colaboram na construção historiográfica de um povo. É uma prática coletiva, onde diferentes pesquisadores concorrendo para o diálogo comum a parti de suas competências específicas, se ajudam mutuamente na construção dos significados que iram subsidiar o desenvolvimento científico das humanidades.
Em nossa Universidade Federal de Rondônia não temos conhecimento de trabalho semelhante que envolva diretamente o curso de história, a pesa de temos noticias de trabalhos multidisciplinares na linha da oralidade, mas se faz necessário o estudo etno-histórico.

A colonização da região do Madeira rondoniense



Um esforço titânico se deu,

na busca de conquistar o Caiari

Chegaram homens brancos oferecendo um novo Deus

E uma nova fé na região das cachoeiras.


Ali se fixaram

Mas logo Mura e Tora

Dalí tratou de expulsá-los.


Outros homens brancos vieram

Carregando espadas e mosquetões

Em vez de terços e rosários.

Mataram e destruíram aldeias

Assim... Fazendo os mura

endurecerem cada vez mais...


Os mura afugentaram os guerreiro brancos

Desceram rio abaixo até encontrar...

os remanescentes da missão de Santo Antônio.


Desta vez foram expulsos da foz do Machado

Destruíram a missão do Camuan,

Localidade onde mais tarde

No período da borracha surgiria Calama.


Os mura verdadeiros donos do lugar

dominavam das cachoeiras

A foz do rio mar.


Os jesuítas vieram para facilitar...

Mas mesmo assim os guerreiro brancos

não poderam colonizar...


A luta continuou sem parar

Desde o tempo das missões ...

Levaram quase dois séculos

para em fim

poderem ocupar...


No final do século XIX

no perimêtro onde outrora

havia a missão do Camuan

surgi a Vila de Calama

como ponto de apoio

aos seringais do vale do Machado e do rio Preto.


Em meio a floresta subequatorial

Nasceu uma comunidade requintada

que mandava seus filhos estudarem em Paris,

onde erguiam-se casarões portugueses e vitorianos...


E hoje não resta quase nada deste

passado glorioso...


Calama foi porto de embarque do látex,

Sede da empresa Calama S/A .

Chegou ter uma área de 2 milhões de hectares

e um proprietário,

o espanhol Manoel Antônio Parada Carbacho

que recebeu todas essa terras do imperador do Brasil.




Prof. Cícero

Etno-história regional


História de Rondônia


A História de Rondônia começa antes do descobrimento do Brasil com a etno-história dos povos da floresta sub-equatorial, quando o atual território do Estado era povoado por várias tribos de ameríndios (Amondava, Arara, Ariquemes, Anuzés, Boca-preta, Caripunas, Gavião, Ipoteauês, Jarus, Mamaidês, Massacás, Mundurukus, Muras, Navaités, Nhabiquaras, Parnaguatés, Parintitins, Suruí, Torás, Urupás, Uru-eu-wau-wau, e muitos outros ).
A primeira expedição lusitana ao território que forma o nosso Estado de Rondônia remonta ao século XVII, do que antes foi parte da capitania do Mato grosso e parte da capitania do Grão-pará, e por último parte do Estado do Amazonas. Em 1943 foi transformado em uma unidade do Estado brasileiro por Getúlio Vargas, com o status de território fronteiriço subordinado diretamente ao governo central e com o nome de Território Federal do Guaporé. Em 1956, o Território Federal do Guaporé sofreu mudanças de designação passando a se chamar Território Federal de Rondônia, em homenagem prestada, pelo presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira ao sertanista Cândido Mariano da Silva Rondon. O território federal de Rondônia só virou estado de Rondônia em 1988, com a nova Constituição Federal.


Professor: José Cícero Gomes




















quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Uma eleição Histórica




Em Eleições nos Estados Unidos nunca se viu tanta gente querendo votar como nesta terça-feira 04 de novembro de 2008. Ontem foi um dia histórico para o povo estadunidense, principalmente para os afro-americanos. Pela manhã longas filas se formavam no bairro do Harlem em New York,e pessoas esperavam ansiosas para vivenciar o dia sonhado por Martim lute King, na fila para votar muitos tinham consciência que este dia seria vitorioso mesmo que Barack Obama não tivesse logrado êxito nas urnas,a nação negra americana já se sentia vitoriosa só em ter um irmão que chegara onde Obana chegou.
E o sinal de um novo tempo se deu em vários Estados dos E.U.A., nas longas filas formadas, para vota em Obama não só haviam afro-americanos,latino-americanos,asiáticos descendentes,...Haviam também muitos saxão-americanos,digo brancos orgulhosos de estarem votando pela primeira vez num negro americano.A nação que já foi a mais intolerante em questões raciais do Ocidente depois da África do Sul dos tenebrosos tempos de Apartheid.Agora vive o apogeu histórico de um povo.
Um dia, um grande americano negro previu este momento glorioso, Martin Luther King: “Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter.
Este sonho ontem tornou-se uma realidade! O Democrata barak Obama é hoje o primeiro presidente negro da América, e isto, definiu este momento como impa na história deste país sem nome,e multe racial.
Obaba, um filho de um Queniano e uma estadunidense branca, senador por Illinois aos 47 anos de idade, chega à Casa Branca. Esta vitória tem uma conotação maior, passa a ser a vitória de todos os afro-americanos por seu direitos civis. E acima de tudo, passa a ser o triunfo da democracia e do sonho americano tão defendido por nobres homens como Abraham Lincoln que mesmo sendo republicano sonhava com um Estados Unidos de todos os americanos, sonho este que vinha sendo sepultado pelos famigerados republicanos dos últimos decénios. Mas agora esse nobre sonho se torna realidade.





Prof. José Cícero Gomes

sábado, 9 de agosto de 2008

A colonização da região do Madeira & Guaporé.

Prof. José cícero Gomes

O primeiro núcleo de povoamento colonial na Amazônia equatorial iniciou-se pelo vale do rio Madeira com o estabelecimento de missões religiosas jesuítas, com o intuito de catequizar e pacificar os nativos para facilitar a conquista e a ocupação da região. Dentre os muitos religiosos de destaque da Companhia de Jesus, na região do Madeira, sobressai o Padre João de Sampaio que, em 1728, por ter fundado um núcleo de povoamento entre a cachoeira de santo Antônio e a foz do Jamarí. Mas este aldeamento foi impiedosamente atacado pelos Mura, os nativos que ofereciam mais resistência a presença dos invasores. Daí a fama de ferozes, o terror do Madeira. No entanto a presença jesuítica no Caiari (rio Madeira) é mais antiga. Entre 1669 a 1672 os Padre Manoel e Garzoni fundaram um aldeamento na foz do Madeira na ilha de Tupinambarana, localidade que deu origem à Parintins. Na no passo que a catequese ia se concretizando ao longo do Madeira, as possibilidades de ocupação vão se tornando real. A região era riquíssima em drogas do sertão e, acima de tudo em cacau.

O Tratado de Madri
A partilha das terras da floresta sub-equatorial à Espanha e Portugal na América do sul gerou polêmicas que acabaram em altercações e conflitos durante boa parte da história colonial da região.
O Tratado de Tordesilhas – oficialmente demarcador das fronteiras entre Espanha e Portugal – nunca foi totalmente respeitado pelos sertanistas, mineradores e aventureiros portugueses e luso-brasileiros, em sua grande maioria paulistas, sendo portanto substituído pelo Tratado de Madrid, assinado na capital espanhola a 13 de janeiro de 1750, entre os reis de Portugal e da Espanha.Este tratado tornou-se responsável por determinar os limites entre as duas colônias sul-americanas, acabando definitivamente com a ameaça de um conflito armados entre portugueses e espanhóis.O Tratado de Madrid foi preparado cuidadosamente a partir do Mapa das Cortes, favorecendo a colônia portuguesa e aos seus colonos em prejuízo aos direitos dos espanhóis. Os diplomatas portugueses eram muito habilidosos nas negociações e basearam-se no princípio do ”Uti Possidetis” – direito de posse – para definir como se daria as divisões territoriais, trabalharam bem também para a vitória da coroa portuguesa. Pelo “Uti Possidetis” a terra deveria ser daquela nação que conseguisse ocupa a terra em litígio, e já se encontrassem estabelecidos nela, com a descoberta do ouro no Guaporé foi possível as autoridades portuguesas atraírem uma população considerável para a região e garantir definitivamente a posse da região com a chegada de Dom Antônio Roulim de Moura Tavares. Graças aos bandeirantes e ao Tratado de Madrid que legitimou as conquistas e a posse de áreas supostamente espanhola, os portugueses puderam se firmar no grande território que hoje forma o Brasil. O Tratado de Madrid estabeleceu que o limite da fronteira entre os domínios espanhóis e portugueses se daria a partir do ponto mediano entre a embocadura do Rio Madeira e a foz do Rio Mamoré, sempre seguindo em linha reta até visualizar a margem do Rio Javari. Surgia uma linha imaginária que futuramente geraria muitas discórdias.Por este tratado Portugal foi obrigado a ceder a Colônia do Sacramento ao estuário da Prata, mas em compensação recebeu os atuais estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o atual Mato Grosso do Sul, a gigantesca área que ficava no alto Paraguai e mais algumas extensões de terras abandonadas, também adquiridas através de negociações. O tratado estabeleceu que a paz sempre reinaria entre as colônias, até quando as capitais das províncias se encontrassem em guerra; a Capital brasileira foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro; a posse da Amazônia foi cedida para Portugal e o Rio Uruguai foi escolhido como fronteira entre o Brasil e a Argentina.O Tratado de Madrid foi importante para o Brasil porque definiu aproximadamente o contorno geográfico do Brasil hoje.

terça-feira, 29 de julho de 2008

História regional

A construção da Estrada de Ferro Madeira - mamoré



No crepúsculo do século XIX, a república da Bolívia buscava ansiosamente uma solução para a perda de seu território litorâneo na costa do pacífico para o Chile, a fim de ter como escoar sua produção para os países compradores. Na fronteira noroeste boliviana, o nosso Caiari ( o velho Madeira ) seria uma solução que já estava sendo usada como corredor de importação e exportação. Navegando pelas rotas fluviais do Beni e Madre de Dios, pertecente ao território boliviano, e adentrando na fronteira nas vias fluviais brasileiras ( Guaporé e Madeira ), atingia-se o rio madeira e, ao superar as quedas d'água deste último, navegava-se em direção ao rio Amazinas e dai ao Oceano Atlântico.
O constante perigo em superar as cachoeiras do rio Madeira, que ocasionava percas de vidas humanas e prejuisos de natureza material, levou à uma discussão de propostas que viessem a facilitar o transporte naquele techo do rio. Assim, Quentin Quevedo, que desceu o rio madeira em 1861 a serviço da república boliviana, surgeriu a sua canalização ou a construção de uma ferrovia entre as cacheiras de Guajará-Mirim e santo Antônio. Também o engenheiro João Martins da Silva Coutinho que surgeriu ao governo da provícia do Amazonas a construção de uma ferrovia que ligasse o rio Madeira ao rio Mamoré.
Em função de varias necessidades, tanto do Brasil quanto da Bolívia, foi criado em 1871, sob a direção de George Earl Church, a Madeira - Mamoré Railway co. Ltda., Diviculdades diversas provocaram a desistência da empreitada da construção de construção da ferrovia pela empresa Public Works, firma contratada por George Church, em 1871. Naquele mesmo ano foi contratada a firma estadunidense P. & T. Collins, do estado da Filadélfia nos EUA, que contatou serviços de trabalhadores especializados e não especializados, de diversas partes do mundo, envindo-os para Santo Antônio. No entanto, divido a enúmeros fatores, a empresa P. & T. Collins também abandonou a obra em 1879, após ter assentado apenas 7 Km de trilhos.
As duas comissões enviadas pelo Governo de Pedro II, uma em 1883, comandada pelo engenheiro Carlos Morsing que ficou em Santo Antônio durante seis meses e outra em 1884 comandada pelo engenheiro Júlio Pinkas, terminaram também desastrosamente.
A questão acreana(1899-1902), já num contexto republicano. Foi resolvida através do tratado de Petrópolis, litigio entre Brasil e bolívia( 17/11/1903), retomou à discussão da construção da ferrovia Madeira-mamoré. As obras foram reiniciadas em 1907, após a concessão para a construção da EFMM ter sido vendida pelo engenheiro Joarquim catramby para o estadunidese Percival Farquhar, que fundou a Madeira-Railway Company, subsidiária da Brasil railway Company. Em 1907 chega a Santo Antônio a empreitera May, Jackyll & Randoph co. Ltda. que deu inicio as obras tantas e concluindo-as em 1912.

Introdução a História de Rondônia







É imprescindével a construção coletiva de uma nova proposta de sociedade humana. O ensino de história de Rondônia no ensino médio regular ou EJA, se faz necessário pela sua propriedade e abrangência sócio-política que é capaz de produzir opiniões e transformações de natureza social. Por ser tão imprescindível, o ensino de história de Rondônia e da Amazônia, é também uma tarefa para pessoas que tem os pés no chão e a cabeça nas estrelas, e não se conformam em serem apenas passageros da história, mas buscam ser condutores de sua própria história e formadores de novos condutores.



J. Cícero Gomes